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PALAVRA DO XIII GRÃO-MESTRE DA GLNP

Solstício de Inverno

O ser Humano apreende a realidade a partir de padrões.  Uma vez assimilados estes padrões pelo indivíduo, devidamente temperados pela sua sensibilidade e razão humanas, nas profundezas do seu ser,  passam a estar codificados em  símbolos,  armazenados na memória, como uma espécie de unidades de conhecimento sobre os diferentes contextos da realidade.

Na Maçonaria, há também diferentes padrões que são utilizados para codificar conhecimento, ou seja, que são símbolos, sendo uma vertente conhecida a da geometria.

Na base da geometria estão os pontos, que são a mínima porção que se pode definir no espaço. Cada um deles, isoladamente, não pode ser considerado um padrão: é apenas uma ocorrência geométrica com propriedades específicas que os tornam numa realidade particular. Mas quando um desses pontos está junto a outros, num qualquer arranjo ordenado, essas muitas realidades individuais são transcendidas por uma outra, baseada em regras bem definidas, trazendo ordem e harmonia ao caos, formando um padrão holístico, capaz de ser desvendado por quem tenha o poder de ver para além do óbvio representado por cada ponto.

Um circunferência, por exemplo, sendo um padrão geométrico, serve de símbolo que encerra várias realidades, princípios e valores. Pode significar o princípio da dualidade (o que está dentro e o que está fora), o valor da justiça (traçando limites)  ou a realidade da recorrência, pois que o movimento de um ponto sobre um círculo é um movimento periódico.

Também na Maçonaria os símbolos têm um valor transcendental, uma vez que o seu significado revela realidades maiores e que só podem ser descodificados pelos verdadeiros iniciados que, na sua progressão na Maçonaria, vão ganhando a capacidade de obter por si mesmos as chaves que os descodificam. Os iniciados vêem, pois, para além da realidade imediata do símbolo, servindo este apenas como mensageiro de uma dimensão oculta para os profanos.

Nos últimos anos, em todo o globo, tem havido o fenómeno da massificação na Maçonaria, instanciada em Lojas e em Obediências onde se medem números e não a vontade e a capacidade de iniciar. Onde se multiplicam negócios e políticas ao invés de se trabalhar no auto-aperfeiçoamento. Onde o materialismo reina sobre a espiritualidade. Onde os símbolos não passam de objetos, desenhos e textos que valem por si mesmos, sendo usados em representações teatrais vazias de significado espiritual.

Tal fenómeno, resultante de processos de admissão pouco cuidados, cedendo ao facilitismo e ao impulso puramente profano de “crescer”, tendo em conta objetivos estranhos à Ordem, culmina numa admissão de pessoas que não são, nem nunca serão, iniciados.

São homens, que devemos respeitar e acarinhar, mas que não têm a capacidade para ler padrões, ou símbolos, incapazes de transcender a fronteira da realidade imediata. São gente muito prática, com fins profanos, bons ou maus, mas que não deviam ter lugar na Maçonaria. Não estão habilitados a seguir o caminho espiritual que a Maçonaria Tradicional e Regular exige e, em particular, o Rito Escocês Antigo e Aceite oferece. Muitos deles abandonam as estruturas, desanimados, porque não encontraram o clube de negócio, ou o grupo que os apoiaria nas suas ambições políticas ou financeiras. Outros permanecem numa permanente fricção com algo que não compreendem, dando origem a mau estar e cisões desnecessárias.

Mas referi, não por acaso, a circunferência como símbolo,  porque em Maçonaria esta está associada ao tempo, enquanto medida do padrão recorrente dos ciclos da Natureza, numa viagem entre quatro pontos dispostos sobre essa circunferência, igualmente distanciados, a que se chama solstícios e equinócios. Estes retratam a realidade dos ciclos naturais da Terra em volta do Sol. Cada um desses pontos é um marco importante com significados e características próprias e distintas.

O Solstício de Inverno que este ano será a 22 de dezembro -  às 4 horas e 19 minutos - será a noite mais longa do ano, o que significa que a escuridão da noite vai perder terreno face à Luz do dia, comandada pelo sol insubmisso e vitorioso, que nos guia e nos transmite esperança.

É tempo de introspecção e de crescimento, de preparação do terreno onde hão-de ser semeadas as sementes na esperança de que hão-de florescer e frutificar em resultado do trabalho do Maçon, renovado a cada ano, guiado pela Luz que nos é trazida pelo Sol.


Neste Solstício, que a nossa Tradição associa a S. João Evangelista, ou S. João de Inverno, desejo a todos os Iniciados, Irmãos, umas Festas Felizes, e que no novo ano, em que a nossa Grande Loja Nacional Portuguesa completará 20 voltas em torno do Sol, a cada dia que passe haja também a renovação da confiança no trabalho de desbaste da pedra que cada um de nós tem que realizar no circulo da vida.

Portugal, Sede Social da Ordem, 22 de dezembro de 2019

O Grão-Mestre da Grande Loja Nacional Portuguesa,

João Pavão


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