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Atualizado: há 2 horas

Em setembro de 2025, Lisboa recebeu uma caminhada temática integrada nas Jornadas Europeias do Património, dedicada à “Rota da Arquitetura e do Património Maçónicos” e promovida pela Grande Loja Nacional Portuguesa.


Lisboa recebeu rota do património maçónico nas Jornadas Europeias do Património 2025.


Cartaz da “Rota da Arquitetura e do Património Maçónicos”, indicando horários e itinerário pela Baixa e zona ribeirinha, do Rossio à Trindade.
Cartaz da “Rota da Arquitetura e do Património Maçónicos” (21/09/2025), com encontro no Rossio às 14h00 e encerramento na Cervejaria Trindade às 16h30.

A iniciativa propôs um itinerário pela Baixa e pela frente ribeirinha, combinando história urbana, reconstrução pós-1755 e leituras simbólicas presentes na arquitetura e na estatuária da cidade.


O percurso decorreu a 21 de setembro, com início às 14h00 no Rossio, junto da Estátua de D. Pedro IV, e terminou às 16h30 na Cervejaria Trindade, num programa que assumiu, desde o ponto de partida, uma intenção cívica: lembrar que certos lugares públicos não são apenas cenário, mas também linguagem — e que a cidade, quando é lida com atenção, guarda no desenho e nas fachadas o rasto de ideias, tensões e projetos de futuro.


Entre as paragens previstas, o roteiro sublinhou o peso do liberalismo e do constitucionalismo na memória urbana, começando por uma leitura alegórica do pedestal de D. Pedro IV. Seguiu-se a zona da Rua do Amparo com a Rua Dom Antão de Almada, apresentada como área associada a reuniões liberais no século XIX e ao surgimento de dinâmicas maçónicas no tecido social e cultural da cidade.


Na Rua Augusta e no Arco Triunfal da Rua Augusta, o programa convocou a reconstrução pombalina como momento fundador de uma Lisboa racional e iluminista, destacando esculturas alegóricas associadas a Célestin Calmels e elementos decorativos lidos como símbolos de caráter iniciático. A passagem pela Praça do Comércio reforçou a mesma linha interpretativa: a cidade reconstruída como afirmação de ordem, harmonia e progresso, numa gramática política que não se esgota no urbanismo.


Já na frente ribeirinha, o Cais das Colunas surgiu como “porta simbólica” de Lisboa, com a leitura das duas colunas como imagem de passagem, acolhimento e universalidade.


O percurso incluiu ainda a Rua do Crucifixo, n.º 58, referida como antiga sede de sociedades culturais ligadas à Maçonaria, e a Igreja do Santíssimo Sacramento, apontada no programa como caso singular pela orientação a Oriente e como oportunidade para refletir sobre a tensão histórica — e por vezes simbólica — entre Igreja e Maçonaria.


Uma das etapas com maior carga iconográfica foi a Casa do Ferreira das Tabuletas, cuja fachada, rica em figuras alegóricas (Terra, Água, Comércio, Indústria, Ciência e Agricultura), foi apresentada como síntese visual de uma ideia de aperfeiçoamento humano e de valorização do conhecimento.


O encerramento na Cervejaria Trindade foi descrito como momento de confraternização sob o tema “O Nosso Património e a sua Preservação”, com referência à azulejaria e à presença de símbolos associados à tradição maçónica.


Em 2026, a rota fica como um exemplo de ativação cultural do património: não apenas mostrar lugares, mas devolver-lhes leitura — e, com isso, reabrir a pergunta essencial de qualquer cidade antiga: o que preservamos, porquê, e para quem.


Centro de Estudos Maçónicos Fernando Pessoa da Grande Loja Nacional Portuguesa

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